A viagem de meu pai, para o baixo Amazonas no ano de 1906, foi tão comentada antes, que no dia da viagem, quase todos os moradores, da vila, compareceram na estação do trem, para as despedidas.
Tomamos o trem, para Belém, tomamos o vapor, para o baixo Amazonas, e fomos morar, em um barraco, em uma clareira, na beira de um igarapé, dentro dos seringais. Quando tomei conhecimento das coisas, com os meus seis aninhos de idade, meu pai trabalhava como seringueiro, minha mãe tomava conta da casa e dos filhos. Eramos quatro pessoas em casa; Meu pai, minha mãe, uma irmã de oito anos de idade e eu, o escritor desta história. Moravamos em um velho barraco na beira de um igarapé, coberto e tapado compalhas de ubuçu, um tipo de palmeira da regiaõ amazônica. Assoalhado com paxiuba acima do chão, quase dois metros de altura, por causa das enchentes, na época das chuvas. Faziam dois anos, que meu pai havia, chegado naquele lugar, com sua família para trabalhar na extração da borracha, no seringal de um senhor, de nome Silvinha, mais conhecido, por coronel - Silvinha, e possuidor de muitos seringais, naquela região.
Devido a mata ser muito alta, perto de casa, pouco se via o sol, no correr do dia, o igarapé, era um tanto largo, más, não era fundo, e tinha muito peixe, de todos os tipos inclusive, o puraquer, ou seja o peixe elétrico, tornando-se até perigosonas pescarias, e para se tomar banho.
Durante o dia e noite, ouvia-se esturros de onças ferozes, de vários tipos detro das selvas, muitoperto da casa.ouvia-se canticos de pássaros, de uma grande variedade de passarinhos de plumas frizantes, -assobios de vários tipos de macaco bacuraus e curujas, mal deixavam a gente dormir com seus canticos de assombração.
No correr do dia, até era tolerável, más à noite, era uma zuada infernal, de a gente tomar sustos constantes... Quando no inverno, que o igarapé enchia,de baixo do barraco ficava com mais de um metro d'água, e os jacarés passeavam por baixo do barraco, davam cada rabada e batiam nos esteios da casa, de estremecer em cima. Era quando tomavamos mais sustos, vendo a hora a se desmoronar e cair por cima da gente.
Os vizinhos mais perto, estavam com mais ou menos, uns três quilometros de distância uns, rio cima, outros , rio abaixo,. Em 1908, minha mãe, deu a luz, a uma creança do sexo feminino, - o assistente da parturiente, foi meu pai, e tudo correu muito bem, e teve um parto muito feliz, graças a Deus, A creança recebeu o nome de ana.
Esta história, é uma história da passado, a história da minha vida, umpouco da história de meus pais, e de meus avós.
Durante os anos que meu pai morou no seringa, só um dia vi minha mãe sorrindo e satisfeita. Foi justamente no dia que ele, botou a bagagem dentro da igarité, e chamou ela: Vamos embora, nenem, tras as crianças e vamos deixar este degredo, para sempre, se Deus quiser... Minha mãe, embarcou nos agasalhou ao seu lado, embrulhou a nenenzinha colocou no colo, e disse: Podemos viajar.
Meu pai, se ajeitou na popa da canoa, se benzeu, pegou o remo e foi remando de vagar até deixar-mos o porto, e pegar o canal do igarapé, e fomos descendo ajudado pela correntesa das águas, e ele no piloto da canoa. Quando fomos deixando o porto do barraco, o papai olhou de lado e disse: Adeus barraco onde muito sofri, - escapando com vida por milagre de Deus. - Olhou para frente, meteu o remo na água com vontade, e descemos rio abaixo, ajudaod pela correnteza d'água.
Olhei para a minha mãe, notei que ela estava rezando, se benzeu, e beijou a nenenzinha, e beijou a mana e eu.
Meu pairemava e prestava muita atenção por cima da proa da canoa; temendo se chocar com alguma sucury, uma grande cobra que tem nos rios e igarapés, e costuma ficar atrvessada no meio dos igarapés, com, o lombo de fora d'água, tomando sol. por um discuido, chegar a bater nela, só a manobra, que ela faz no corpo, é suficiente para naufragar qualquer embarcação, ainda mais, uma canoa pequena, como a nossa.
Muitos jacarés grandes, desciam das barreiras e caíam na água, fazendo aquele banzeiro, que iam, até nós, e ainda balançavama canoa.
Ja era muito tarde, perto da noite, chegamos na casa grande, onde os vapores param, para receber cargas e levar para Belém do Pára. - Encostou o igarité, em um barranco tirou a bagagem, nós desembarcamos, e fomos para o barraco que estava sem gente, e fiocamos a espera do vapor, onde embarcamos com destino a Belém. Estavamos no ano de 1909.
Recordar o passado, é viver duas vezes para fazer uma recordação geral e completa resolvi escrever este livro, contando tudo com bem clareza, contando do bom e do ruim, pois a vida da gente, é um livro aberto, para quem quiser ler e compreeender. Minha mãe, era uma mulher muito inteligente teve pouco estudo, pois o que aprendeu foi em uma escola particular, em casa de seus pais, quando ainda mocinha, - más, o pouco que aprendeu, soube cultivar, lia coirretamente livros de hitórias, e assinava seu nome.
Goatava de contar histórias para nós, quando ainda eramos criança. De suas histórias, muitas, jamias esqueci. Era muito trabalhadora, cuidava dos filhos, e da casa, e nas horas vagas, fazia rendas e bordados, vendia alguns, e outras, enfeitava seus vestidos.
Meu nome, - Francoisco Manoel do Bonfim, filho legítimo de Manoel Joaquim do Bonfim e Maria José do Rêgo, depois de casada, passou a chamar-se Maria José do Bonfim. Tebdo como avós paternos: Joaquim José do Bonfim e Ana Vicença da Conceição do Bomfim; e como avós maternos: _ Galdino Pereira da Costa Rêgo e Mariana Pereira do Rêgo.
Na familia do meu avô paterno, eram onze filhos: - Pedro José, - Joaquim José Filho, _ manoel Joaquim (meu pai), Antonia, Tereza e Maria José: Filhos do primeiro matrimoneo. Meu avô enviuvou, e casou-se pelça segunda vez. Do segundo matrimoneo, tiveram mais 5(cinco) filhos, Joaquina, Ana, Maria antonia, Generosa e Inacio: - onze filhos, quatro homens e sete mulheres.
Na familia do meu avô materno, eram 6(seis) filhos: Ana, Maria, Tereza, Maria José(minha mãe), Rosa e antonio, cinco mulheres e hum homem. - Meu pai, nasceu na cidade Iguatú, no Estado do ceará, no ano de 1868, e faleceu na cidade de Impereatriz no Estado do Maranhão, no ano de 1961 com 93 anos de idade.
Minha mãe, nasceu na cidade de Pau dos Ferros , Estado de Rio Grande do Norte, no ano de 1875, e faleceu an cidade de Barra do Corda, em 1947, com 72 anos de idade, no Estado do Maranhão.
Meus avós se mudaram do Nordeste para o Maranhão, no ano de 1877, quando a grande seca na época, assolava todo o nordeste.
Entraram no Maranhão, pelo municipio de Pastos Bons, lugar bom para criação de gados vacum, lanigero e caprino, - como gostaram do lugar, la se estabeleceram, com seus familiares.
Meu avô paterno foi morar encostado a um serra, e deu-lhe o nome de mucanbo,. Ali viveu muitos anos, criou sua familia e todos se casaram, depois se mudou para o municipio de Barra do Corda, onde veio a falecer, ja bem velhinho.
Meu avô materno, foi morar no vão de uma serra, onde deu-lhe o nome de Vão do Buraco. Neste lugar, criou toda a sua familia e todos se casaram. Meus avós, criaram sua familias, trabalhando com lavouras e criação de gado bovino e caprinos.
Meu pai, por ser o filho mais velho da familia, ajudou muito meu avô, na criação da familia, e tomava conta dos roçados e campo, na criação do gado bovino.
Casou-se com 29 anoso de idade, e minha mãe, tinha 22 anos de idade. Era uma jovem linda e muito prendada, fazia rendas e lindos bordados.
Casaram-se no ano de 1897, e no ano de 1898, viajaram para o Estado do Pára, e foram morar na vila de Benevides, distate 28 kilometros da capital do Pára-(Belém).
Nessa vila morou muitos anos, só saindo para uma viagem no acre, onde ficou uns dois anos por lá, e depois, quando viajou com sua familia para o Baixo Amazonas, isto em 1906.
Meus pais, contavam com orgulho os atos generosos, de meu avômaterno, Galdino Pereira da Costa Rêgo, para com seus ex-escravos; Não consentido que ninguém os maltratasem, dentro ou fora dos seus serviçosquando veio a alforria, os negros preferiram ficar trabalhando com meu avô, e morando na mesma senzala. Da forma como pagava seus trabalhadores, pagava a seus ex-escravos.
De Benevides, meu pai , só saiu de muda para o Baixo Amazonas, onde foi trabalhar nos seringais, no alto Tucuruí, com o senhor coronel Silvinha, possuidor de muitos seringais naquela região, Amazonica,. Se embrenhou nas selvas, na extração da borracha, e lá permaneceu três anos, no maior degrado que ja conheci, em toda a minha vida, quando regressou a Belém do Pára, - eu, tinha 7 anos de idade, em 1909.