Depois de ficarem, mais vários meses dentro das selvas, na quebra da castanha, fizeram a entrega aos patrões, receberam o que ganharam, foram para um porto, pegaram uma lancha e viajaram para Manaus, a capital do Amazonas. - Descançaram uns dias, embarcaram em um vapor, e se dirigiram com destino a Belém do Pára.
Depois de uns dois dias de viagem, o vapor atracou em um porto, para receber um carregamento de borracha e castanhas. La, encima tinha um casarão, a casa do chefe dos seringueiros e castanheiros daquela região. Estavam fazendo o embarque de pranchas de borracha, meu pai, desceu por uma prancha de madeira, e ficou em terra assistindo aquele movimento no porto. Não demorou, ele ouviu gritos de uma mulher, pedindo socorro, Socorro... gritava a mulher... ficou impaciente de ouvir aqueles gritos e ninguém dava atenção, se dirigiu em direção, onde esta gritando.
Perto, viu um homem, arrastando uma mulher, apressou os passos, e bem perto, falou para o homem largar aquela mulher, pois ela, era um ser humano. O homem não deu bola, ela gritou, moço me acuda, por amor a Deus!
Meu pai chegou perto dele, e tomou a mulher, que estava em prantos... o homem, partiu para cima de meu pai, com um revolver em punho, mas, já encontrou uma peixeira no umbigo quase furando, e meu pai, gritou: largue esta arma, ou morre já, bandido! - O sujeito esmoreceu, largou o revolver no chão, meu pai pegou, e jogou dentro do rio que estava perto. A mulher correu e entro no vapor, e la ficou. O homem saiu correndo, e gritava, você me paga, volto já. - Meu pai, saiu e entrou para dentro do vapor, e foi para o seu camarote. O que eu fui ver em terra?... Nada tinha a ver em terra, estava aqui sossegado aqui, fui em terra, só para procurar confusão... e se aquele vagabundo voltar, e querer atirar em mim? - Tenho de mata-lo, para me defender. O serviço do embarque terminou, o vapor desatracou e saiu do porto, e tomou o canal, e as máquinas funcionaram , e a viagem, continuou. - Por via das dúvidas, meu pai foi onde estava o comissário e perguntou, se embarcado algum passageiro naquele porto, oque respondeu, que só uma mulher havia embarcado, e mais ninguém. - Agradeceu e saiu. Falou Graças a Deus, iremos viajar em paz daqui para Belém,. Mais tarde, a mulher localizou meu pai e chegou perto, quis se ajoelhar, para agradecer a meu pai o bem que ele tinha feito a ela. Não senhora, só procurei lhe tirar das garras daquele tirano, o mais tudo bem.
A senhora está bem, é o que interessa, e viajar com paz e sossego, se Deus quiser, falou meu pai. Aquele malvado, a muito tempo vem me perseguindo, desde que fiquei viúva, quero viajar para onde estão os meus pais, em Belém, e ele não deixa. - Com a graça de Deus, apareceu o senhor para me livrar de suas garras, Deus acompanhe o senhor, seu Manoel.
Com a chegada do meu pai em casa, minha mãe quase morre de alegria, - chorava e sorria ao mesmo tempo com a emoção de sua chegada.
Em casa meu pai passou a contar o que sofreu, no período da guerra, entre Bolívia e o Brasil.
Mas, tudo passou, e em casa encontrei o garotão, que prometi, está aqui, para lhe ajudar, mas, não foi possível. - Mas, aqui estou, para ajudar a criar o meu garoto, o Francisco e mais outros que venham a nascer daqui por diante, se Deus quiser. - Agora irei me aquetar em casa. Chega de aventuras...
No ano de 1900, havia nascido uma irmã, e na pia batismal de Benevides, recebeu o nome de Mariana. - Éramos dois irmãos, - Mariana e Francisco.
Com a chegada de meu pai, as coisas em casa, mudaram bem. Como meu pai tinha faltado com a palavra para com minha mãe, estava sem graça, e sempre lhe pedia desculpas, apesar de não ter sido ele o culpado.
Pois é Manoel, agora que você chegou em casa, - vamos viver vida nova,. Estou muito feliz, e só espero que esqueça de fazer novas viagens, especialmente para o Amazonas.
Ele, combinou, e tudo voltou as boas, começou a trabalhar para a estrada de ferro de Bragança, fazendo um contrato para entrega de dormentes, em vários setores da estrada.
Com seis meses de trabalho, ganhou bastante dinheiro, e assim estavam vivendo uma vida de rosas. Com a sua volta do Acre, trouxe uns contos de réis, no bolso, - por isso tudo lhe corria muito bem.
Meu pai, era um homem muito trabalhador e honesto. Sua palavra, era uma ordem. - Sabia ler e escrever, fazia as quatro operações de contas, e se expressava muito bem, tinha facilidade de conquistar bons amigos, gostava de frequentar boas festas, e como sabia dançar, e junto com a minha mãe, davam show dentro de uma sala. Gostavam de dançar valsa, quadrilhas e muitas outras danças da época, como tango, etc... teve muitos sofrimentos, durante a guerra, e passou por muitas angustias que não gostava nem de se lembrar, mas, falava que tudo fazia parte da vida, e se conformava e dizia: O homem, nasce e vive, um só instante e sofre até morrer. Meu pai sempre falava: Nunca se meta em briga de marido e mulher. - E contava um caso que se deu com ele. - Certo dia, passando na rua, em frente a casa de um Dr. diretor da estrada de ferro, ouviu os gritos de uma mulher, era o marido que estava batendo nela, e ela gritava. - Como viu meu pai, pediu socorro a ele. - Encostou na casa e pediu ao Dr. para não fazer aquilo, com a dona Amélia,... Ele largou a mulher, e partiu para cima de meu pai, furioso, mas, antes de bater em meu pai, recebeu um bom tapa na cara, e se atracaram no terreiro da casa, meu pai deu uns bons murros nele, ele correu e entrou em casa, fazendo ameaças.
Resultado: processou o papai, que caro lhe custou se livrar. - Eles, marido e mulher com dois dias, estavam aos beijos e se amando, como se nada tivesse acontecido.