Passaram-se anos, ele sempre trabalhando na estrada de ferro, isto é, fazendo entrega de dormentes, e tinha muitos homens trabalhando no preparo dos dormentes, e encostando na margem da estrada, onde eram carregados em vagões, e entregue nos pontos determinados.
Num certo tempo, começaram a atrasar nos pagamentos, e ele, tinha de pagar os homens, pois tinham com o atraso, da estrada.
Faziam quatro anos que tinha chegado do Acre. - Foi a Belém, tratar de recebimentos de seus atrasados, recebeu muito pouco, ficou ainda bastante dinheiro, a receber. Na viagem feita a Belém, tratando de seus negócios, conversou bastante, com um senhor, sobre preços da borracha, e ficou animado, pois os preços estavam agradáveis, bem convidativos..., já voltou para casa, pensando em abandonar o serviço na estrada de ferro e ir tirar borracha no Amazonas. E ele sabia preparar a borracha, do leite da seringueira.
Deixou passar uns dias, pois não tinha coragem de falar à minha mãe. E ficou pensando como fazer, pois a estrada , só estava dando prejuízos.
Minha mãe, vendo ele preocupado, andava assim... triste,perguntou, oque estava acontecendo. Olha nenem, estou muito preocupado, e vou deixar o serviço da estrada de ferro, estou tendo muito prejuízo, nas entregas dos dormentes. - Não estão me pagando como vinha sendo pago. Tenho de procurar outro serviço e é já.
Quero combinar com você, posso falar? Não se zangue comigo, sim? - Vamos fale logo e diga oque é, pois estou curiosa para saber, oque você quer falar comigo. Quero dizer a você, que nós vamos para o Baixo Amazonas, - trabalhar com borracha. - Não quero ir sozinho, - só vou , se for com você. - Vamos? Você ja esqueceu, do que sofreu no Acre? - Não, não esqueci. Mas, para onde quero ir é diferente, e é perto, é dentro do estado do Pára, - falei com um senhor em Belém, ele me contou tudo direitinho, 15$000(quinze mil réis) o quilo. É muito dinheiro, minha querida, que nós iremos ganhar, dentro de pouco tempo.... Olha Manoel, - eu vou pensar, depois te falo. Minha mãe, passou dois dias pensando, como fazer se dava o sim, ou o não. - O Manoel, é muito opinioso. - Tenho medo de dizer não, e ele tentar querer ir sozinho, sem eu. - Vou arriscar e dizer que irei com ele, más, para demorar pouco tempo, e voltar-mos. - Se aceitar assim, irei fazer esta aventura a seu lado, para assim não tornar a ficar a sua espera aqui de novo, como na sua viagem ao Acre.
Mesmo naquela data, não poderia viajar, mesmo que ele quisesse que eu fosse com ele, pois estava grávida, agora não.
Papai, inquieto com o seu silêncio, ternou a perguntar: Como é nenem, você resolveu viajar comigo, para o Baixo Amazonas? - Estou aguardando a sua resposta, gostaria que fosse positiva, e não negativa. - Manoel, pensei muito..., e estou disposta acompanhar você, - más, se for por pouco tempo, no máximo, dois anos; e voltar-mos. - Então está combinado. E vamos aproveitar, em quanto é tempo de viajar, para aquela região. Não é longe,mais ou menos, dois dias de viagem, estaremos lá.
Foi cuidar de vender uns terrenos, onde tirava madeira para dormentes, e acertar os negócios, e tratar da viagem.
O seu sonho, era trabalhar em um bom seringal, que produzisse muita borracha, vendeu tudo, até os móveis e a casa.
Marcou o dia da viagem, com destina Belém, e lá pegar o vapor, e viajar para a foz do rio onde deveria ficar. Antes do dia da viagem, minha mãe, saiu de casa em casa, de suas amigas, se despedindo, pois agora já tinha resolvido viajar junto com seu marido para o Baixo Amazonas. Minha mãe, era muito querida naquela vila...: Agora será o que Deus quiser. A maioria dos moradores da vila, sabiam até a hora da nossa viagem. - Compareceram em massa na estação do trem, para as despedidas e desejaram uma feliz viagem.
Eram 10 de Junho de 1906, tomamos o trem para Belém, e no dia 12, embarcamos no vapor, com destino a Manaus, com dois dias de viagem, ficamos emum porto, - onde os vapores encostam, para embarque de borracha e castanha, quando voltam de Manaus.
Desembarcamos, subimos em um barranco e em cima, encontramos um velho barraco, desocupado, nos arranchamos nele. Carapana e muriçoca, tomou conta de nós. Foi feito fogo, e muita fumaça, para espantar os pernilongos, que ninguém estva suportando as ferroadas, e as coceiras que deixavam na gente.
Minha mãe, chorava de arrenpedida de ter concordada com esta viagem. - Mas, estava sem jeito. Já estavamos, nas selvas do Amazonas. Foram dois dias e uma noite de viagem.
Mais em cima, na terra firme, estava a casa grande, - do proprietário dos seringais, o Sr. Coronel Silvinha, - prprietário de muitos seringais naquela região, do Tucuruí.
Papai, comprou uma igarité, (uma canoa pequena), comprou mantimento para a primeira quinzena, - dois dias depois, - subimos num igarapé, era bem brande e fundo, em direção dos seringais. Foi com meu pai, - um senhor de nome Ambrósio, sua profissão: - Mateiro, para ensinar onde era o seringal, que meu paiia ficar para trabalhar.
Quase um dia de viagem, rio acima, depoispenetramos notro igarapé, afluente deste que iamos subindo, até chegarmos no barraco onde nós iamos ficar alojados. Um verdadeiro degredo. em uma pequena clareira, estava o barraco, - abandonado a tempos. Chegamos no lugar do destino, - encostamos a canoa, meu pai, desembarcou, pisando na lama, e nós o acompanhamos junto com a mamãe.
Subimos em uma escada de uns quatro degraus,já um tanto apodrecido os cipós, que amarravam os degraus.
Um barraco, coberto e tapado com palhas de ubuçu, um tipo de palmeira, que existe nas selvas Amazônicas. - O assoalho,feito de paxiuba, - estavam mais ou menos conservados.
Para uma segurança melhor, meu pai e o seu Ambrósio, no dia seguinte, foram tirar palha nova, e fazer vários consertos, pois ja mais de um ano estava abandonado. - O sol pouco se via durante o dia, deveido as matas serem bem altas, e muito perto da casa. Como as águas, já haviam baixado bem, debaixo do barraco, só tinha sujeira e lama, - o assoalho estava mais de metro e meio acima do chão, só muita vontade de ganhar dinheiro, com borracha, - suportaria, ficar alí, assim, como ficamos.
Com o decorrer dos anos, minha mãe, contava tudo para nós, como chegaram naquele lugar feio, - orroroso..., só se ouvia esturros feios de onças, - assobios de macacos, cantigos das corujas a noite, gargarejos de guaribas, e canticos de pássaros e pássarinhos, no correr do dia.
Quando completei meus seis anos de idade, - meu pai trabalhava como seringueiro, minha mãe tomava conta da casa e dos filhos.
Acompanhei bem, a vida do papai, trabalhando no seringal, onde sofreu vários acidentes, provocado por feras perigosas nas selvas e delas arriscando até morrer, - antes de chegar em casa. - Uma briga com uma onça, escapou por milagre de Deus.... - O senhor Ambrósio, ficou com meupai, mais de oito dias; - ensinando o seringal, onde ele ia ficar trabalhando. - Mostrou umas oitenta seringueiras, - delas ainda virgem, nunca lhes tinham encostado, uma machadinha, para lhe colher o leite.
Dessas, meu pai escolheu uma boa parte, e foi trabalhar com elas. Tinha insetos de todos os tipos, a partir das carapanãs, das muriçocas, mutucas de todos os tipos, grandes e pequenos, - dessas que dá uma ferroada, e o sangue fica correndo.
Mas, tudo isso, era fixinha, - comparando com as feras das selvas!... Como ele, enfrentou várias, - inclusive uma sucurí, - super grande, - um jacaré chocando os ovos da jacaroa, e uma onça canguçu, que não cresceria mais, com quem meu pai lutou e matou-a a facadas ajudado pelo Joly, - até ela cair para um lado, meu pai para outro lado e o Joly ficou cochiando de uma perna..., esta, se o Joly, não o ajudasse, - teria vencido meu pai. Mas, o cachorro foi fiel, não abandonou seu dono até o fim da luta, - dentro de um mato fechado cheio de cipó.
Quase, não pode ir para casa, todo ferido de dentadas e arranhões de suas unhas. - Ficou muitos dias doente, sem poder ir ao seringal, foi tratado com chá e sumo de mastrus, de um canteiro da mamãe.
Quando seu Ambrósio, regressou à casa grande, antes ele avisou meu pai, que tivesse cuidado nas pesadas das bolas de borracha e anotasse tudo; pois os cacheiros, não tem pena, dos seringeuiros, - roubam mesmo.
E assim, ele fazia, anotando as pesadas, e o valor de cada quilo, preço do dia, nas compras de mercadoria, - fazia o mesmo. Anotva o valor da compra, e guardava as notas.
-Para trabalhar no seringal, tem que se levantar antes do dia amanhecer, era este o horário que meu pai se levantava da rede, saia de baixo do mosquiteiro, e ia passar o café, para tomar com rosca, ou bolacha, - antes de colocar seus apetrechos na cintura e em uma sacola que conduzia nas costas, assava um pedaço de jabá, colocava em um saco com farinha, também uma cabaçinha com água, jogava o rifle atira-colo, amarrava no chapéu de cipó, uma lamparina com um murao bem grande, ascendia, e saia ao seringal.
Quando penetrava na mata, ainda estava escura, com uma lamparina ascesa, - ajudava ver a picada, onde tinha de seguir.
Leva todo esses apetrechos, equndo volta para casa, aindatras, o balde de leite das seringueiras,para ser transformado em borracha, esse trabalho, é de segunda a sabado, fazendo um pequeno repouso aos domingos, isto quendo não tem nenhum serviço em casa para fazer.
Quando chegava nas primeiras seringueiras começava a fazer os cortes, e colocando as tigelinhas de flandres, tamanho de um copo comum, quando terminava de cortar a última, ia para onde tinha começado, - já as tigelinhas estavam cheias, era só tirando e derramando no balde, e deixando-as no pé da seringueira, para serem usadas, no dia seguinte.
tinha dias, que o leite rendia mais, e ele dividia em dois baldes, para poder conduzir sem ir derramando pelo caminho.
Chegando em casa, já tinha um lugar apropiado, para a defumação do leite, até transformar-se em borracha. Mas antes de fazer este serviço, almoçava, depois ia fazer a defumação do leite, - quando terminava, já era quase noite, - aí então era que ia descançar e dormir, para enfrentar o batente, no outro dia. Para se fazer a defumação do lelte, para se transformar em borracha, era usado um pote feito de barro; bem bojudo, com uma boca grande e sem o fundo. Na parte que ficava para baixo, era uma boca bem maior que a de cima, justamente esta, ficcava em cima do fogo, na outro menor, saia a fumaça bem grossa, e por cima da fumaça, era rolado um pau, já com um pouco de leite, e condesavas em segundos. Aí voltava à bacia onde estava o leite, colocava o leite outra vez e voltava ao defumador, para condensação novamente. - Isto era feito até termirnar o leite que estava na bacia ao lado.
Esse trabalho, era feito todos os dias, logo que chegava do seringal, - fazendo bola de borracha, em média de 20 quilos, por cada uma das bolas de borracha defumada.
A vida do seringueiro, não é brinquedo, e muito menos, para pessoas, que gostam de dormir muito, - é uma luta insana, não sobrando t empo para fazer outro serviço, pois tem de todos os dias, enfrentar as seringueiras, e aproveitar o leite que elas estão liberando, naquela época do ano.
A luta do seringueiro, é trabalhar para dentro de dois ou três anos, ter bom saldo, o suficiente, para regressar ao seu lar, ou a sua terra natal, cheio de dinheiro, para aí poder desfrutar do que ganhou com muito sacrificiio, nas selvas Amazonicas, enfrentando todo tipo de perigos que um ser humano pode enfrentar na vida. e tambem enfrentar se ajuste de contas, com os patrões, pois muitos deles, - só queriam tirar o couro dos seringueiros, e manda-los ás favas.... É muita sorte, qundo encontra um bom patrão, que paga tudo direitinho. Quando completei meus seis anois de idade encontrei meu pai, fazendo todo esse traballho, que ja vinha fazendo a dois anos atrás.
Levantando muito cedo, para ir trabalhar, no seringal, na extração da borracha, só chegando no barraco, de volta, mais ou menos três horas da tarde, - quando ia fazer a defumação do leite, transformando em bolas de borracha.
O lugar onde moravámos, era muito esquisito, um verdadeiro degredo. A noite não se podia ficar fora do mosquiteiro, um minuto, por causa das muriçocas e outros tipos de mosquitos, que qundo ferroavam a gente, dava uma coceira no corpo, de dar agonia na gente.
Minha mãe, sofria muito, não somos nenhum desertor ou criminosos, para viver neste inferno verde, sofrendo e vendo meus filhos sofrerem de fazer pena, - falava a mamãe, e muitas vezes chorava..., falava a meu pai, e ele dizia: Tem paciência nenem, que breve saíremos daqui, se Deus quiser, - falava meu pai.
Na época das chuvas, o rio enchia, e espalhava água debaixo do barraco que ficava perto do assoalho de paxiuba, - os jacarés à noite davam rabadas e batiam nas forquilhas da casa, que estremecia em cima onde nós estavamos, - dava cada susto na gente, que tinha horas, que até pensavamos que a casa ia cair.
Nas matas, que estavam pertinho da casa , ouvia-se de dia e de noite, esturros de onças, e gargarejar de guaribas, e assobios de macacos de muitas espécies, - canticos de pássaros, pássarinhos de todos os tipos, as corujas, davam gritos orrorosos, que chamavam de rasfa mortalhas, só faltando assombrar a gente, - isto era durante o dia e a noite. Quando meu pai não estava em casa, o nosso maior medo, era de ser-mos atacados pelas onças, que viviam rondando o nosso barraco dia e noite.
Os nossos anjos da guarda, eram dois cachorros grandes e valentes, que nós criavamos e tinhamos a maior fé, na valentia deles, pois para chegar uma pessoa no porto, isto, era muito raro, mas, aparecia, era preciso amarrar os cachorros, - se não amarrasse, ninguém entrava dentro de casa.
Joly e tubarão, cachorros valentes, estavam alí, -mamãe, dizia: São os nossos anjos da guarda. Quando latiam, o eco soava, ia dentro da mata, e com isso, parece que as onças se afastavam para mais longe....
No seringal, meu pai, foi vitíma de muitas agressões de feras, - uma vez, ia dentro da mata, fazendo uma picada, em direção de umas seringueiras, que ele tinha visto, não muito longe de casa. Por um acaso, passou entre um jacaré e um ninho de ovos que eles estavam chocando com os olhos, - quando viu, foi a arrancada do bruto animal em sua direção, e meu pai, ainda caiu, devido a uma rabada que recebeu do animal, levantou e tirou seu rifle que estva atiracolo, deu-lhes vários tiros, - mas o bicho ainda tentou morder ele na perna, por sorte meu pai ainda pulou fora, dando mais tiros, deixando ele esperniando, para morrer,- e foi embora com o pé meu destroncado, chegando em casa cocheando de uma perna. - Era um jacaré que não crescia mais, e muito valente....
A jacaroa,poe os ovos, cobre com folhas seca, e vai embora.- O jacaré, omacho vai chocar os ovos, olhando de longe, de olho vidrado para o ninho, - quem se atrever passar, entre o ninho e ele, - já viu.... - Outro acontecimento, com meu pai, dentro das selvas. Vinha ele de regresso para casa um dia, até chovia bastante, desde cedo, quando sem esperar,encontrou no meio da picada, atravessada, como quem ia parsando e parou,uma monstrenga de sucurí, com quase meio metro de altura, e ali viu, pensou até que fosse umpau que tivesse caido. - Como não viu nenhum mato quebrado ali por perto, estranhou, - e foi olhando de lado e viu talvez, com uns cinco metros de distância, uma bruta cabeça de uma cobra, que estava comm a língua de fora, e vinha fechando o cerco em sua direção.
Sem nenhuma demora, arreou seus apetrechos no chão, sacou o rifle que estava atiracolo, e deu-lhe uma rajada de tiros na cabeça da bicha, e ela com o choque dos tiros que recebeu, - deu um vira-volta no corpanzil, e uma parte caiu,por cima de meu pai, que com muito custo, conseguiu sair de baixo, foi sua salvação, que estava muito molhado o chão e liso, que o ajudou no esforço que fez, ajudado pelo chão que estava mole também.
Destrocou um pé, e quase quebrava um quarto, - sofrendo muito para chegar em casa, perdendo todo o seu trabalho do dia. - Foram muitos dias que ficou sem poder fazer nada, só em casa tomando chá de mastrus, e minha mãe, fazendo outros remédios para ele melhorar do acidente que sofreu, - escapando por milagre de Deus.
Mas, não ficou só nesse. Mêses depois sofreu outro, muito pior, - pois teve de lutar atracado com um bruto cangaçu, dentro de um mato fechado, e cheio de cipó.
Esse sim, se ele não fosse um homem de muita coragem, tinha sido vencido pela féra, -mas, matou-a a facadas...