quinta-feira, 28 de julho de 2011

Terra onde nasci cap. 2

       Benevides, termo da comarca da capital do Pára. Havia muito movimento aos domingos, devido uma feira, onde vendiam farinha de tapioca, açucar mascavo, empaneirado em paneiros e folhas de guarimães, rapaduras, feijão e muitos outros artigos de alimentação, inclusive o tacacá com tucupí, muito apreciado pelos paraenses.
       Os colonos e donos de engenhos saiam de suas propriedades aos domingos, traziam seus produtos para venderem na feira.
       Nos arredores de Benevides, haviam muitos engenhos de cana de açucar e tinha muitos lavradores, pois as terras eram muito boas para tudo que se plantasse.
       Pois bem. Foi nessa vila onde nasci no dia 9 de maio de 1902, em um dia de sexta feira, as cinco horas da tarde. Minha mãe foi assistida no parto por uma senhora de idade bem avançada, conhecida por mãe Tetê, considerada como a melhor parteira daquela vila. Deus a tenho no reino da glória, pois já é falecida a muitos anos.
       Foi um parto muito feliz, graças ao criador do céu e da terra. Falava minha mãe. - Quando nasci, meu pai não estava em casa, havia viajado para o Acre, no alto do Amazonas; antes de viajar, prometeu chegar a tempo. Mas isto não aconteceu, por motivo superior. Meu pai estava na quebra da castanha, quando estorou uma guerra, entre a Bolivia e brasil. - Todos os castanheiros foram obrigados  pegarem em armas, em defesa do Brasil. Meu pai, foi um deles...no começo do ano de 1902, estorou uma guerra entre Bolivia e o Brasil, os bolivianos queriam se aponderar de uma grande área de terra no Brasil, justamente hoje, o Estado do Acre que tem por capital.
        Como os soldados da fronteira, eram de pequena quantidade, o exército convocou os donos de seringaise castanhais, e todos os seus homens que trabalhavam para eles, comparecerem, e pegar em armas, em defesa do Brasil. Não houve jeito de escaparem, e tiveram de se apresentar, meu pai foi um deles, receberam as instruções, vestiram as fardas, receberam as armas e munições, e caíram em campo de guerra...
        Foram nove meses de, entre a vida e a morte. Os bolivianos, eram ferozes e não deixavam escapar um brasileiro da mira de seus fuzis...
        Os bolivianos, estavam preparados para guerriarem por muito tempo, deu muito trabalho aos brasileiros. - O maior sacrifício para os brasileiros foi enfrentar um forte dos bolivianos, onde estavam armazenados todos seus armamentos, munições e alimentaçõa; era o quartel general.
         Foram dias de combate, morreram muitos brasileiros, morreram muitos bolivianos, mas, foram vencidos e tomado tudo que existia no forte para os brasileiros: Jabá, tinha centenas de fardos, muito feijão, muita farinha de mandioca, - muitas armas e munições, - os brasileiros, se aponderaram de tudo, e a guerra foi terminada, por que os bolivianos debandaram fugindo a maior parte, ante de serem capturados pelo comando do exército brasileiro. Mas, ainda deu muito trabalho para prender os bolivianos, escondido dentro das matas, lugares muito alagados, um verdadeiro pantanal, coberto de árvores, cheio de tudo quanto era insetos daninhos, de todos os tipos, de carapanã à muriçoca e do pium; - da lacraia ao piolho de cobra, lagartas e caranguigeiras, e a maioria de uma cor quase vermelhas e mais venenosas do que as pretas. Cobras, socadas socadas nas tronqueiras das grandes árvores e enroladas nos galhos e cipós, - o maior perigo, para enfrentar tudo aquilo, e o encontro com os bolivianos escondidos, e muitos ainda estavam bem armados.
        Quando foram apresentados, os castanheiros ao Coronel Comandante do batalhão que servia na fronteira, - foram feitas umas escolhas de homens que pudessem comandar os pelotões, que lhe eram dados pelos oficiais, ajudantes de ordens do Coronel chefe do Estado Maior, ali na fronteira.
         Foram escolhidos vários homens, meu pai, foi um deles, - por saber se explicar com bem clareza e ser um  bom atirador.
       Recebeu a patente de tenente, fardas e muita munição e armas lhe foi entregue, um pelotão, com muitos soldados, - o mesmo, foi feito com todos os outros escolhidos.
       Pois bem. - Em uma dessas caçadasaos fugitivos, meu pai junto com seus soldados dentro de uma mata a procura de refugiado saiu de dentro de uma tronqueira de uma granmde árvore, uma mulher boliviana e dois filhos menores, - correu em direção de meu pai, ajoelhou-se aos seus pés, de mãos postas, e chorava muito, - pedindo para não mata-la e nem os seus filhos... Um soldado, quiz atirar na mulher, meu pai mandou baixar a arma , e não deixou, que a maltratassem, nem aos seus filhos.
        Não vou lhe fazer nada, mas, nos acompanhe , até a presença do alto comando, lá, vocêis terão garantia de vida, e julgarão seu caso. Em viagem com destino ao quartel general, encontraram com um outro oficial, que também andavam em procura de refugiados, - e entendeu de querer tomar a mulher e filhos para fuzilar.
       Houve fortes discuções entre meu pai e o outro oficial, estiveram de armas em punho, más meu pai não entregou a mulher e nem os filhos, - pois quase ia havendo uma tragédia... Meu pai entregou a prisioneira ao Coronel, e denunciou o outro oficial.
       Meu pai recebeu elogios do Comandante pelo seu ato de bravura e humanidade. O outro oficial, foi punido pelo seu modo de proceder, e do ato que tentou praticar.
       Termniada a guerra, todos os castanheiros e seringueiros, que estivessem na luta em defesa do Brasil, foram despachados, para voltarem a seus lares... Receberam o que ganharam durante os nove meses de guerra contra os bolivianos, e foram liberados, os que escaparam, pois muitos ficaram sepultados nas selvas... Como o dinheiro que receberam não era muito, pelo trabalho e luta que enfrentaram, muitos voltaram para casa muitos resolveram se embrenharem nos castanhais, e ver se recuperavam o tempo perdido.
       Meu pai foi um deles, que junto com alguns companheiros, que escaparam, foram tentar recuperar o tempo que perderam, e ganhar mais alguns trocados, para chegarem em casa mais abastecidos, com dinheiro.

          

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